Entre tropeços coreográficos,
voltas e piruetas na caixa
craniana, percebo os passos
infantis da minha loucura.
Ela - aprendiz.
Seus passos estão melhorando,
em breve haverá baile.
quarta-feira, 11 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
Do eu afogado na lágrima seca
Quando criança sofri um acidente, nunca mais fui a mesma. O trauma no globo ocular impede-me de lavar os espelhos, fico inerte a dor, observando o pesar do corpo e alma. Sou chamada de louca.
E por quê não seria?
Com o tempo já nem me movia, somente as órbitas secas como binóculos a capturar imagens... e com mais tempo... nem isso.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Questão prima.
Carrego a culpa na bolsa escrotal e a arma pendida sobre ela.
Preencho o oco, mas o que me completa?
Preencho o oco, mas o que me completa?
O corte
(foto Gustavo Kruel - Dor)É impressionante a dor que sinto, tudo lateja, pulsa. Meus batimentos cardíacos ficaram alterados, a dor é aguda, suo frio, os olhos lacrimejam sem meu comando.
Seguro firme o corte querendo juntar as partes da carne cortada, como se quisesse estancar o sangue ou que ele não existisse. Confesso que meu primeiro intuito foi de lamber a ferida, até pus a língua pra fora, mas isso seria animalesco demais e não pegaria bem na frente do outros.
Tentei manter a pose, disfarçar a dor, as lágrimas e a cara de cão carente, afinal era só um corte.
Cortei meu dedo com papel.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Estampido
O viço cinzento espalhado,
o templo vázio, oco,
a vela acesa,
a prece interrompida.
Fora feita justiça!
No canto, a criança liberta.
Nunca mais sangrará
entre as pernas pela força.
o templo vázio, oco,
a vela acesa,
a prece interrompida.
Fora feita justiça!
No canto, a criança liberta.
Nunca mais sangrará
entre as pernas pela força.
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